segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Estudo de caso

Amizade entre homem e mulher?
Ô, colega, assunto irritante...
Por quê?
Porque... porque sim. Eu até acreditava em amizade entre os sexos - e sem sexo. Mas olhando bem de perto, bem de pertinho, eu tive que reconsiderar.

A Fê, por exemplo. Amigaça. Boa de papo, uma cabeça... Sempre tem um conselho bacana, uma opinião interessante. Crânio. Mas é feia. Bem, não é assim feia, feia... É sem graça. Eu não pegaria, sabe? Meio tábua, sem curvas, um nariz avantajado. Inteligente-feia, manja a peça? Quando usei minha relação com a Fê pra defender a amizade entre homem e mulher, vieram com a pérola: "homem só consegue ser amigo de mulher feia". Fiquei de cara com isso! Mas, pensando bem, o fato dela ser, assim, sem sal, ajuda. Adoro a Fê, puxa... Mas, não rola.

Ah, tem a Claudia também. Claudinha. Gata, viu? Tão gata que, logo que conheci, tive que ir pra cima. A gente ficou junto tipo umas 3, 4 vezes. Altas loucuras. Mas daí o tempo passou, a química esfriou, pintaram umas amigas dela muito das interessantes... Só sei que a gente partiu pra amizade. Foi natural. Apresentei os caras pra ela, ela socializou as amigas, cada um rodou a banca do outro... Tudo na irmandade. Até porque ela é muito engraçada, a gente morre de rir na companhia um do outro.

Olha, eu sempre me vangloriei da amizade com a Claudinha, mas aí me disseram: “assim não vale. A amizade de vocês só rola porque a tensão sexual não existe mais”. Então quer dizer que a gente só consegue ser amigo de verdade porque já nos "experimentamos"? Pois é, colega. Disseram que é por causa disso.

Dia desses, o Chicão veio me pilhar com esse papo de amizade entre homem e mulher lançando a tese, segundo ele, definitiva: “só é amizade mesmo se você passar pelo teste da cama”. Decifrando: amigo que é amigo passa a noite numa mesma cama e nada, mas NADA mesmo acontece. Nem pau duro, nada, disse o Chicão. Ai o Chicão me instigou...

Encuquei na hora. A Fê, por exemplo. Eu dormiria com a Fê. Mas e se ela viesse se encostando, luz apagada e tal... Me conheço! De luz apagada é sacanagem.

A Claudinha? Podia até passar no teste com a Claudinha. M-A-S – e sempre tem o “mas” – só se não rolarem confissões de alcova antes de dormir. Ô mania que ela tem de falar sobre as transas dela... Aí, ó, só de pensar fico “esperto”.

Então, e tem a Lara. Te falei da Lara? A Lara é lá do bairro. Amiga desde, ah, cara, desde sempre. Ela é molecona, sabe? Desbocada. Sem frescuras, nunca teve vaidade, esses papos de se vestir assim-assado, decote, roupa justa, essas paradas. A gente era amigo tipo brother. De ir junto pro estádio, de tomar todas no bar. Amigos o suficiente até pra fazer uma proposta ousada.

Sem rodeio, falei pra Lara da tese do Chicão. O teste da cama. E da minha intenção de desbancar o "dr." Chicão em seu mestrado sobre o assunto. Exagerada, a Lara soltou um palavrão, riu com gosto - e topou.

Pra apimentar a brincadeira, a gente combinou de dormirmos num motelzinho fuleiro perto de casa – numa quarta-feira, dia de jogo na TV, claro. Foi chegar, ela deu as ordens: “coloca na Globo e pega uma cerveja pra gente!”. Então sumiu no banheiro.

Passou um tempo - e, confesso, tinha até me esquecido da Lara (o jogo tava lá-e-cá) - ela reaparece vestida com um, como chama aquilo? Um babydoll, micro, micro.

Como se fosse a coisa mais normal do mundo estar seminua do lado do seu “brou”, ela pulou na cama, xingou o juiz e roubou a cerveja da minha mão.

“Que sede!”, disse ela, sacando sua frase-padrão-pré-primeiro-gole-de-cerveja. E, default, tomou um senhor gole.

Um pouco de cerveja escapou da boca rósea e carnuda da Lara que tentou, em vão, conter o líquido passando sua língua molhada preguiçosamente por ali. O filete de cerveja seguiu pescoço abaixo e tomou o rumo do decote dela, emparedado pelos tenros morros morenos que despontavam por ali e então... então eu não aguentei.

Aquilo era demais, DEMAIS.

Fui embora, indignado. Puto.
Isso é coisa que uma amiga de verdade faça?

(desde aquela noite, tenho evitado o Chicão...)

sábado, 11 de julho de 2009

A culpa é do meu pai

Sou muito exigente em relação aos homens. E o fato é que estou sozinha.
Mas existe um culpado – e não sou eu.

A culpa do meu pai. É verdade. Culpa dele por ser meu exemplo de homem.

Um cara com o coração maior que a barriga (e olha que ele tem uma baita barriga). Que sabe, de tudo, um pouco – aliás, pouco, não. Ele manja bastante de quase tudo, é incrível. Inteligente até dizer basta.

Um homem que, se não sabe, vai atrás pra saber. Sem preguiça. Nenhuma preguiça. Que, fuçando, conserta qualquer coisa. De carro a liquidificador. De máquina de lavar a torradeira, incluindo aí minhas bijuterias. Um homem que, mais que trocar lâmpada, resolve qualquer problema elétrico. Porque tem boa vontade, porque adora um desafio. E porque é inteligente pra caramba – já disse isso, eu sei.

Meu pai é daqueles que sai de madrugada se alguém, qualquer um, ligar pedindo ajuda. Que pula da cama a qualquer sinal de que alguém precise dele. E olha que sempre precisam, porque ele sempre resolve. Não existe nada que ele não tenha uma solução, seja paliativa, seja definitiva.

Ele é um homem, entendem? Que sabe o que fazer, quando fazer, como e porquê.

E, apesar ou além disso tudo, ele é um doce. A pessoa mais doce e justa que conheço. De um bom humor contagiante. Que se emociona com facilidade – e até chora, escondido, mas chora. Chorou quando soube que fiquei mocinha, quando me viu de biquini, uma mulher feita, quando me flagrou beijando um namoradinho do colégio, quando soube que eu estava grávida. Um cara sensível, pro lado bom e pro ruim também. Que, certa vez, ao menor sinal de problema financeiro, sofreu tanto pela família que foi parar no hospital, veias entupidas, confronto com a morte. Eu era bem nova, mas lembro bem: daquele dia em diante, todos tínhamos que minimizar as tensões, livrá-lo de qualquer nervosismo e das emoções mais fortes.

Mas meu pai não é homem de sentimentos frouxos. Ele sofre, se angustia, mas age. Admiro muito isso. A atitude. A resolução, mesmo que em detrimento do seu próprio conforto. Meu pai é, para desespero da minha mãe, um mão aberta. Mas, mais que isso, é uma alma pura e aberta a tudo e a todos. Que oferece conforto, proteção, guarida a quem estiver por perto. Que ampara e deixa qualquer um seguro.

É isso que espero dos homens. Do meu homem.
E se é um desvio psicológico essa busca pelo pai no parceiro amoroso, sorte a minha ter tido um exemplo tão generoso em casa.

Sorte tê-lo ainda por perto e sempre tão perto.

domingo, 31 de maio de 2009

Meu reino por um homem-herói

O psicanalista e “galã” Contardo Calligaris ganhou as páginas amarelas da Veja para dizer aquilo que eu suspeitava: o homem precisa ser venerado como um super-herói pelas mulheres. Ao perder papéis, ver escoar ralo abaixo suas “funções” de macho, se encontra desamparado, sem rumo e totalmente confuso ao lado da fêmea, sem saber o que fazer, como agir, onde e quando atuar. O sentimento é de frustração, porque tudo o que ele almeja do seu par é ser admirado, como um ser com poderes quase sobrenaturais. Como disse e enfatizou Contardo, ele quer carinho e compreensão. Quem não quer?

Posso entender tudo isso. Consigo até me solidarizar com o “novo homem” e sua angústia. Mas o que não compreendo é porque ele não se torna realmente uma pessoa a ser admirada ao invés de gastar sua energia em se vitimizar... Nós, mulheres, queremos um homem-herói. Um cara de decisão, que tenha iniciativa, que corra atrás dos seus sonhos, que não tenha medo de compromisso, que saiba o que quer, que nos proteja, nos leve adiante, que espante nosso temor do futuro, nossa insegurança atual. Ou seja, os papéis masculinos estão aí... só mudaram. Não é mais preciso ser provedor. Mas tem que ser homem!

Gostamos de nos sentir rainha, sim, mas só um verdadeiro rei sabe fazer isso. E faltam monarcas na praça.

O desencontro está instalado. Homens querem se sentir heróis, mulheres querem ser Lois Lane.

E ninguém faz nada pra essa ficção se tornar realidade.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Olhos nos olhos... (quero ver o que você diz)

Existe uma corrente que acredita firmemente na resolução de mal-entendidos amorosos pelo enfrentamento (literal). Isso quer dizer: procurar os exs pra questionar o que afinal deu errado. Ahá! Então existem outras neuróticas espalhadas pelo mundo...
Sim, já fiz isto (ir atrás, desenterrar histórias) e, quer saber? Foi redentor. Se eu indico? Depende. Tem gente que usa esse subterfúgio pra experimentar a adrenalina de ter um encontro com um ex (ou ainda) grande amor. Outros no fundo nutrem a esperança de uma reconciliação - ou de um remember fenomenal no motel mais próximo. Acho que vale a pena quando realmente algo ficou no ar, as coisas não se encaixam e você precisa entender o que se sucedeu pra, ufa, seguir em frente. No meu caso, no último caso, sentia como se uma bola de ferro, daquelas que a gente vê só em desenho animado, estivesse presa no meu tornozelo.

Lendo sobre o assunto na “literatura” auto-ajuda, senti o ímpeto (foi mais forte que eu) de listar os meus maiores pés-na-bunda. Engraçado foi sacar que só 3 homens realmente arrasaram meu coração. Óbvio que houveram outros rompimentos, alguns desencontros e tal, mas 3 conseguiram me deixar de molho por longos meses (ou anos), frustrada, desgostosa da vida. Arrasada!

Sr. Apolo, Sr. Sorriso e Sr. Perfeito. A trinca de heartbreakers profissionais que passaram pela minha vida. Talvez um dia eu fale mais sobre eles aqui.

A questão é que, em retrospecto, vi que cada fossa vivida foi um aprendizado para toda a vida. Que aquele sofrimento todo, sem sacanagem, valeu para muitas coisas. E que sempre que vamos atrás do algoz em busca de respostas, a verdade é sempre mais idiota do que a gente imagina - e então o mito vira gente-como-a-gente.
Ou, às vezes, menos que isso. É boooommm.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

MSN-terapia

Inspirada pelo Briefing com Fritas, resolvi prestar mais atenção aos recados que acompanham (ou às vezes substituem) os nomes do MSN. Verdadeiras pérolas freudianas. Mini-divã virtual. É de rolar de rir, ou de morrer de chorar, em alguns casos:

Categoria "sou profundo, é daí?":
Nada é e sim está.
É ou não é.
A vida é bela, aprenda a vivê-la.
Macieira dá maçã, goiabeira dá goiaba, saiba o que esperar das pessoas.

Categoria "eu me basto":
Sou + eu.
Me, myself and I.
Linda, absoluta. Tipo Stephany.


Categoria "lição de moral ambulante":
A serenidade é a virtude do silêncio. Portanto, cale-se!
Podia ser pior. Veja o copo meio-cheio, sempre.
Felicidade não cai do céu como chuva, conquiste a sua.


Categoria "noção-alguma"
Planta Mamífera.
Nunca vi um animal selvagem ter pena de si mesmo.
O que importa ñ é a força da pancada q vc pode dar, e sim a força da pancada que vc pode suportar pra levantar e bater de volta.


Categoria "a quem interessa?":
Preguiça de depilaaaar...
Hj faz 10 meses que não dou! Aula, pessoal... aula.
Ai, ontem... (suspiro)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Luz...cidez

Fez uma grande, uma enorme descoberta e, a partir dali, em estado de choque, passou a ver o que a cercava em câmera lenta, com cores saturadas e leves distorções. Uma música triste –sabe-se lá como - entrou na cena, perfeita trilha sonora para o que acabara de descobrir. Foi naquele momento, sem razão de ser, que ela teve a certeza de que tudo o que sentia, todo aquele amor, aquela urgência, não passava de um grandessíssimo mal-entendido. Ela definitivamente não gostava dele. Gostava, sim, do que ele representava para ela. Parecia sutil, mas quando ela finalmente enxergou a diferença, percebeu o quão gigantesco era o abismo que separava aquele sentimento menor do amor.
Foi preciso esfregar os olhos, respirar fundo e ordenar as emoções. Já sabia o que se passava, de verdade. Era hora de descobrir o que fazer com a revelação. Descartando, por motivos óbvios, a hipótese de sair em disparada, leve e louca, bradando “eureka”.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Carta de Anabel aos céus

"Querido Papai do Céu,

(sei que, completando 30, não cabe mais chamá-lo assim, mas resolvi resgatar um hábito da minha infância, quando escrevia pra você e aquela Caloi, ou outro objeto de desejo, apareciam sem falhas debaixo na minha janela dias depois. Tudo bem que era Natal, mas...)

Bom, Papai do Céu, o caso é mais complicado do que uma Caloi em véspera natalina... rascunho essas linhas pra te pedir um namorado! E não qualquer um. Você sabe, Papys, sempre fui seletiva e, com o passar dos anos (e eles teimam em passar) apurei bastante o querer. No frigir dos ovos, sei bem qual o recheio que quero na minha próxima omelete, se é que me fiz entender.

Quero um namorado charmoso (veja que abri mão do item “bonito”), que exiba um belo sorriso. Daqueles francos, que desarmam e apaixonam. E que seja alto, pra gente formar um casal proporcional, de dar gosto de ver, sabe?

Quero um cara, pra variar, alguns anos mais velho que eu (olha que mudança significativa). E que esteja no rumo certo em sua carreira, ou que esteja buscando se encontrar, mas sem frustrações. Preferencialmente que já tenha um filho, ou mais de um, não me importo. Adoro família grande. Aliás, que ele seja bem “família”. E que seja muito bem resolvido com sua ex.

Por falar em resolvido, espero que ele não precise provar nada pra ninguém. Que não seja exibicionista, fanfarrão, que não precise de platéia, que seja até um pouco tímido... Mas que goste de gente, de agito, de risadas, de emoção. Que ame música, que toque um instrumento (violão?), que saiba dançar um pouco e que seja louco por livros.

Quero um namorado que não seja mais vaidoso que eu (por favor!), que não viva de dieta e que beba, sim, uma cerveja com gosto. Um cara despojado, que aprecie os prazeres da vida sem nóias (Você sabe o que isso quer dizer, certo? Ah, ok). Que passe por espelhos sem mirá-los. E que não tenha uma balança digital no seu banheiro.

Um homem que jogue futebol – uma, duas vezes por semana - com os velhos amigos (ele tem muitos amigos!). E que esse seja o único esporte que pratica, porque não? E mais: que ele manje bastante sobre a matéria. Nem precisa torcer pro meu time. Basta entender. E gostar. Como é másculo um homem fanático por futebol!

Pra finalizar, quero um namorado-homem. Hétero, sim, mas não é disso que tô falando, Engraçadinho... um homem com H maiúsculo, com pegada, com presença, com atitude. Que decida pra onde vamos na maioria das vezes, que ande na frente mas sempre segurando minha mão, abrindo caminho pra nós dois.

Que dê passos largos na vida – e que me leve junto.
Que me encha de orgulho, de admiração. E me preencha de amor.

Dúvidas? Você é o que tudo sabe, o que tudo pode... vai achar esse cara pra mim, não vai?

Com carinho (e esperança)
Anabel